Festival ZUM: Fotografia, Arte e Conversas que Inspiram o Olhar Contemporâneo
O Festival ZUM é um dos eventos mais importantes da fotografia contemporânea no Brasil. Realizado pelo Instituto Moreira Salles (IMS), o festival chega à sua 10ª edição com uma programação que celebra a diversidade de olhares, vozes e narrativas. A cada edição, o público é convidado a mergulhar em debates, exposições, visitas guiadas e uma feira de fotolivros que se tornam ponto de encontro entre artistas, pesquisadores, estudantes e amantes da imagem.
Com entrada gratuita e uma curadoria cuidadosa, o Festival ZUM transforma o IMS Paulista em um espaço de diálogo e descoberta. A proposta é mais do que exibir obras: é provocar o olhar e estimular a reflexão sobre o papel da fotografia como linguagem artística, política e social.
Uma década de olhares e experimentações
O Festival ZUM celebra dez anos de existência, consolidando-se como uma plataforma de experimentação visual e intelectual. Em 2025, o evento reafirma seu compromisso com a inovação e com a valorização das múltiplas vozes que compõem o cenário fotográfico atual.
A revista ZUM, publicação do IMS dedicada à fotografia contemporânea, é a origem do festival. Desde sua primeira edição, a revista se destacou por promover ensaios autorais, críticas visuais, entrevistas e reflexões sobre a imagem no mundo contemporâneo. O festival nasce dessa mesma energia criativa, buscando expandir o diálogo da revista para o espaço físico, onde o público pode ver, ouvir e interagir com artistas e pensadores.
Programação do Festival ZUM 2025
A programação do Festival ZUM foi cuidadosamente planejada para abranger uma variedade de perspectivas. Nos dias 1 e 2 de novembro, o IMS Paulista se transforma em um centro de efervescência cultural.
Sábado (1/11)
O sábado começa com a tradicional Convocatória de Fotolivros ZUM/IMS, momento esperado por editores e fotógrafos independentes. A apresentação das publicações selecionadas e o anúncio das obras premiadas acontecem às 10h, reafirmando o compromisso do festival com a produção editorial independente.
Às 12h30, ocorre a abertura da exposição “Barranca”, de davi de jesus do nascimento, vencedor da Bolsa ZUM/IMS 2024. A mostra revela o olhar do artista sobre o acervo fotográfico de sua família e dos pescadores de Pirapora (MG), criando uma ponte entre memória e território.
Durante a tarde, os bate-papos ganham destaque. Às 15h, as artistas Melissa de Oliveira, Juno B e Alice Yura compartilham suas experiências criativas em uma conversa mediada por Daniela Moura, pesquisadora e curadora. Logo depois, às 17h, Mayara Ferrão e Yhuri Cruz exploram o diálogo entre arquivos históricos e literatura, com mediação da crítica literária Fernanda Silva e Sousa.
Encerrando o dia, às 19h, o público é convidado para um debate instigante com Lilia Schwarcz e Fabiana Moraes, que abordam o tema da branquitude nas representações culturais e iconográficas. Esse encontro sintetiza o espírito do Festival ZUM: provocar o pensamento crítico por meio da imagem.
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Domingo (2/11)
O segundo dia do Festival ZUM mantém a energia criativa com encontros que exploram as fronteiras da fotografia e do cinema indígena. Às 14h, a mesa “Geografias da pele” reúne a artista Vera Chaves Barcellos e o fotógrafo Bauer Sá, com mediação de André Pitol. O diálogo parte da experiência corporal como território visual e simbólico — tema central também na ZUM #29, onde Bauer Sá é destaque.
Às 16h, a mesa “Cinema em família” traz os cineastas Sueli e Isael Maxakali, que unem pedagogia, política e audiovisual na representação de seu povo. Mediado por Cristine Takuá, o encontro aprofunda o papel do cinema indígena na construção de narrativas de resistência e memória coletiva.
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Feira e Exposições: o coração pulsante do Festival
Durante os dois dias, a Feira de Fotolivros ocupa o térreo do IMS Paulista, reunindo mais de 30 editoras, coletivos e artistas. É um dos momentos mais vibrantes do Festival ZUM, onde o público pode descobrir novas publicações, conversar com os criadores e adquirir obras únicas.
Além da feira, as exposições ampliam o alcance do festival. Uma das mais visitadas é “Paiter Suruí, Gente de Verdade”, projeto do Coletivo Lakapoy, que exibe fotografias familiares produzidas pelo povo Paiter Suruí desde a década de 1970. Essa mostra é um testemunho poderoso da fotografia como ferramenta de memória e afirmação cultural.
Outra exposição marcante é “Gordon Parks”, acompanhada de visitas guiadas pela curadora assistente Iliriana Rodrigues. O público é convidado a redescobrir o olhar do fotógrafo norte-americano sobre justiça racial, desigualdade e estética da resistência — temas que dialogam com a essência crítica do Festival ZUM.
ZUM #29: o lançamento que celebra a diversidade visual
Durante o Festival ZUM, acontece também o lançamento da 29ª edição da revista ZUM, um dos momentos mais aguardados. A capa, assinada por Melissa de Oliveira, apresenta a série “Cada cabeça é um mundo”, um ensaio fotográfico que celebra a vaidade masculina e a criatividade dos barbeiros das periferias de Salvador e Rio de Janeiro.
Entre os destaques da edição estão:
- “Casa de bonecas”, de Vuyo Mabheka, que aborda orfandade e desigualdade na África do Sul;
- “Quando se acende o sol”, de Bauer Sá, dedicado à cultura afro-brasileira;
- A entrevista “O sonho do cinema”, com Sueli Maxakali e Patrícia Ferreira Pará Yxapy, sobre o papel das cineastas indígenas na transformação do cinema brasileiro.
Esses trabalhos mostram como o Festival ZUM e a revista se complementam: ambos atuam como laboratórios de experimentação e reflexão, onde a fotografia é ponto de partida para discutir identidade, política e estética.
Educação e formação: fotografia como ferramenta de transformação

O Festival ZUM não se limita à exposição de obras — ele também é um espaço de formação. O encontro de formação “Paiter Suruí”, voltado para professores da rede pública do Rio de Janeiro, acontece em parceria com a Gerência de Relações Étnico-Raciais (GERER/SME-RJ). A atividade propõe leitura de imagens e reflexões sobre representação e diversidade étnica.
Essas iniciativas educativas refletem a missão do IMS e do Festival ZUM: tornar a fotografia acessível, crítica e transformadora. O ensino da imagem, quando associado a debates sobre identidade e memória, contribui para ampliar o repertório cultural e social dos participantes.
Hercule Florence e as raízes da fotografia no Brasil

Como parte da rede de parcerias do IMS, o Festival ZUM também se conecta a outras exposições em andamento. Em Belém, a mostra “A vida em invenções: Hercule Florence e a Photographie” apresenta documentos, experimentos e protótipos do artista-inventor Hercule Florence, considerado um dos precursores da fotografia mundial.
A exposição, resultado da parceria entre o Instituto Hercule Florence (IHF) e o IMS, oferece ao público um mergulho nas origens científicas e poéticas da imagem fotográfica, lembrando que a fotografia é, antes de tudo, uma invenção que transforma a forma como o ser humano enxerga o mundo.
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Cinema IMS: imagem em movimento e poesia
Durante o Festival ZUM, o Cinema do IMS também participa da programação cultural. Em Poços de Caldas, o evento Dia Drummond celebra o nascimento de Carlos Drummond de Andrade com a exibição do clássico “O padre e a moça”, seguida de debate. Em São Paulo, o Cinema IMS Paulista integra a 49ª Mostra Internacional de Cinema, reafirmando o compromisso do instituto com a intersecção entre literatura, imagem e cinema.
O papel do Festival ZUM na cultura visual brasileira
Mais do que um evento, o Festival ZUM é um espaço de encontro e descoberta. Sua importância vai além das paredes do IMS: ele forma públicos, revela artistas e promove o diálogo entre diferentes perspectivas visuais.
A cada edição, o festival reforça a fotografia como linguagem plural, política e sensível. As imagens expostas e debatidas não servem apenas para registrar o real, mas para revelar o invisível — aquilo que a pressa do cotidiano tende a apagar.
Ao celebrar a diversidade de vozes e olhares, o Festival ZUM cumpre um papel fundamental no fortalecimento da cultura fotográfica no Brasil, conectando memória, arte e educação em um mesmo espaço.
Conclusão
O Festival ZUM é uma celebração da fotografia como expressão e reflexão. Ele reúne artistas consagrados e novos talentos em um ambiente que valoriza o diálogo e o aprendizado. Com sua programação diversa e acessível, o festival convida o público a olhar o mundo com mais atenção e sensibilidade, reconhecendo na imagem um poderoso instrumento de transformação social e cultural.
A cada nova edição, o Festival ZUM reafirma que a fotografia é uma forma de pensar o mundo — e que olhar é, acima de tudo, um ato político e poético.






