58% dos fotógrafos da AOP relatam perda de trabalhos para IA generativa — perdas de £1,012 milhão e apelo por opt-in, transparência e rotulagem obrigatória

58% dos fotógrafos da AOP relatam perda de trabalhos para IA generativa — perdas de £1,012 milhão e apelo por opt-in, transparência e rotulagem obrigatória

Pesquisa da Association of Photographers revela impacto direto da inteligência artificial no mercado fotográfico e exige ações legais e regulatórias

A Association of Photographers (AOP), entidade profissional do Reino Unido, divulgou nesta semana os resultados de uma pesquisa entre seus membros que aponta efeitos severos da inteligência artificial generativa sobre o trabalho de fotógrafos. Do total estimado de 3.000 associados, 20% (600) responderam ao questionário.

Principais resultados

  • 58% dos respondentes disseram ter perdido trabalhos para serviços de IA generativa.
  • Queda de 46% no número de fotos visíveis publicamente nos sites dos membros, atribuída pela AOP principalmente ao medo de raspagem ilegal do trabalho.
  • Redução de 65% nas imagens comissionadas licenciadas por membros da AOP.
  • Apesar de um aumento médio de 10% na renda ano a ano entre os participantes, há uma tendência preocupante de queda nas comissões e nas publicações.

Impacto financeiro e relatos

A pesquisa quantifica uma perda total reportada de £1,012 milhão (valor divulgado pela AOP), o que corresponde a cerca de £34.900 por pessoa afetada — números que, segundo a entidade, refletem trabalhos transferidos para sistemas de IA. Um membro relatou: “meu faturamento caiu mais de 60% em relação ao ano passado”, ilustrando o impacto direto em negócios individuais.

Demandas dos fotógrafos

As respostas mostram posições firmes dos criadores frente às práticas das empresas de tecnologia: 98,4% exigem compensação por infrações passadas; 100% pedem transparência quando suas imagens são usadas para treinar modelos de IA; e 85,3% defendem que o padrão seja o opt-in — ou seja, que titulares de direitos tenham de concordar para que suas obras sirvam de dado de treinamento, em vez de terem de optar por sair.

Além disso, 89,9% afirmam não ter interesse em licenciar imagens como dados para machine learning e 96,1% apoiam a obrigatoriedade de rotulagem de obras geradas por IA.

Ação coletiva e pressão política

A AOP uniu-se a quatro organizações criativas do Reino Unido — Society of Musicians, Society of Authors, Equity e Association of Illustrators — para lançar o relatório “Brave New World? Justice for Creators in the Age of Generative AI” e levar o tema ao Parlamento britânico. Em comunicado conjunto, os grupos qualificaram a difusão não autorizada de obras como “o maior ato de roubo da história moderna” e alertaram para a “destruição digital — silenciosa, invisível e global” que ameaça rendas, propriedade intelectual e identidades artísticas.

Os resultados da pesquisa reforçam o apelo por medidas legais e regulamentares que protejam criadores, garantam transparência nos processos de treinamento de IA, promovam compensação por uso indevido e imponham rotulagem obrigatória das criações artificiais.

Crédito da imagem do cabeçalho: licenciado via Depositphotos.

Deixe um comentário