Sigma Foundation lança seus primeiros fotolivros — Hanataba de Sølve Sundsbø e Songen de Julia Hetta marcam nova fase da marca na fotografia contemporânea
Duas obras inaugurais combinam experimentação visual e contemplação silenciosa, sinalizando a transição da Sigma de narrativas de produto para compromisso cultural de longo prazo
A Sigma Foundation estreou no mercado editorial com dois fotolivros: Hanataba, do fotógrafo e cineasta norueguês Sølve Sundsbø, e Songen, da sueca Julia Hetta. As publicações representam o primeiro passo formal da fundação na produção de livros de fotografia, reforçando a intenção da instituição de atuar como apoiadora de projetos autorais e de longo curso — não apenas como patrocinadora de eventos ou fornecedora de equipamento.
Hanataba por Sølve Sundsbø
Hanataba reúne imagens que transitam entre o real e o inventado, apresentando formas de vida que parecem existentes e, ao mesmo tempo, fruto da imaginação. A obra evita a leitura como retrospectiva e é tratada como um trabalho vivo: macrofotografias que se aproximam de uma pintura abstrata, onde textura, forma e luz ganham protagonismo.
Segundo a Sigma, “Sølve Sundsbø se inspira em formas de vida sublimemente belas que não existem. O resultado? Flores, de certo modo, congeladas entre eternidade e efemeridade, entre fantasia e realidade.” As imagens provocam uma experiência ambígua, convidando o espectador a olhar de perto e a questionar o que considera verossímil.
Sølve Sundsbø e o ato da criação
Nascido na Noruega e radicado em Londres, Sundsbø construiu uma carreira marcada pela experimentação entre fotografia e cinema. Seu método mistura processos digitais com trabalho artesanal, produzindo imagens que soam ao mesmo tempo construídas e orgânicas. Para ele, a fotografia é um processo de adição e subtração: “Quando você tira uma fotografia, começa com tudo e depois remove. É aí que o significado começa.”
Hanataba explora justamente essa ideia: imagens deliberadas, sem apelo ao espetáculo imediato, que pedem atenção às sutilezas de luz e textura. Uma temática recorrente no trabalho de Sundsbø é a confiança implícita que as pessoas depositam nas fotografias — mesmo em tempos de manipulação massiva de imagens. A série joga com essa tensão ao apresentar sujeitos plausíveis, porém inteiramente imaginados, sublinhando o poder psicológico da fotografia.
“As pessoas acreditam nas fotografias de uma forma que não acreditam em outras imagens. Essa confiança é fascinante e perigosa ao mesmo tempo”, diz Sundsbø, conforme registrado pela Sigma.
Songen por Julia Hetta
Enquanto Hanataba se apoia na construção e na especulação visual, Songen de Julia Hetta opta por uma abordagem de contenção emocional e calma observação. Resultado de uma residência artística na região de Aizu, no Japão, o livro narra, segundo a Sigma, uma espécie de saga poética: um jovem japonês busca o espírito mais íntimo da arte, viaja até a Suécia e retorna ao Japão — uma jornada que mistura memória, lugar e presença.
As fotografias de Hetta transitam entre retratos, interiores e paisagens, muitas vezes trabalhadas com luz suave e tons contidos. Em vez de impor interpretações, as imagens convidam à contemplação: gestos sutis, rostos e espaços que se conectam numa continuidade entre pessoa e ambiente. No contexto das primeiras publicações da Sigma Foundation, Songen demonstra que sutileza e presença emocional têm tanto peso quanto experimentação conceitual.
Um novo capítulo para a missão cultural da Sigma
A Sigma Foundation foi formalmente criada em 18 de julho de 2025 com o objetivo de promover a fotografia como prática artística e cultural. A fundação — iniciativa de Kazuto Yamaki, presidente da Sigma Corporation — nasce com a ambição de complementar a atuação da empresa, que já é reconhecida por fabricar lentes e câmeras de precisão em sua fábrica de Aizu, no Japão.
A opção por lançar fotolivros como publicações inaugurais reforça a crença da fundação na durabilidade e intimidade do livro como meio de fruição fotográfica. Em vez de funcionar como material promocional para produtos, os livros foram desenvolvidos como extensões genuínas da prática dos artistas, fruto de colaboração e autonomia criativa.
“Queremos apoiar a fotografia de modo a permitir que os artistas realizem plenamente sua visão”, afirmou a Sigma Foundation. A escolha por cuidar com atenção do design, impressão e apresentação das publicações reflete a mesma filosofia de precisão que orienta a engenharia óptica da Sigma: a fotografia merece o mesmo cuidado na preservação que na produção.
Ao estrear com Hanataba e Songen, a fundação sinaliza também um modelo de atuação onde apoio corporativo e integridade artística não são antagônicos, mas complementares. As propostas devem ganhar público por meio de exposições e circulação em feiras internacionais do livro, posicionando essas obras tanto como declarações individuais quanto como marco inaugural da missão cultural da Sigma.
Este lançamento indica, portanto, um movimento estratégico: deixar de lado uma presença puramente mercadológica para investir em um legado cultural. Como Sundsbø sintetizou, “isto é apenas o começo. Ainda há muito o que a fotografia pode se tornar.”
Créditos das imagens: Sigma Foundation, Sølve Sundsbø, Julia Hetta.






