Regra dos terços, proporção áurea, linhas-guia, simetria e reflexos ajudam você a organizar o quadro antes do clique, com mais intenção e menos dependência do equipamento.
Por Carlos Rincon — fotógrafo e professor de fotografia na Pixel Pro, Campinas
Publicado em 19 de junho de 2026, às 11h43
Uma câmera pode acertar o foco no olho, calcular a exposição e entregar um arquivo de alta resolução. Ainda assim, ela não sabe decidir se aquela janela deve entrar no quadro, quanto céu a paisagem precisa ou por que a cabeça do retratado parece perdida no meio de tanto espaço vazio.
Esse trabalho continua sendo do fotógrafo.
Uma composição forte nasce de decisões aparentemente pequenas: baixar a câmera alguns centímetros, retirar uma lixeira da borda, aproximar o rosto do topo do quadro ou esperar uma pessoa alcançar o ponto exato de uma linha. Este guia apresenta sete regras que ajudam você a tomar essas decisões antes de apertar o disparador.
Resposta rápida: quais são as principais regras de composição fotográfica?
Para melhorar a composição, escolha primeiro o assunto principal e organize os demais elementos para conduzir o olhar até ele. Use estas sete referências:
- Posicione assuntos e horizontes pela regra dos terços.
- Controle o headroom, o espaço acima da cabeça.
- Centralize quando houver simetria ou intenção clara.
- Use linhas-guia para conduzir o olhar.
- Componha reflexos como imagens espelhadas.
- Aplique a proporção áurea em cenas com movimento visual.
- Fotografe considerando o corte e o uso final da imagem.
Nenhuma delas precisa ser obedecida em todos os cliques. A função de uma regra de composição não é engessar a fotografia, mas oferecer um ponto de partida que possa ser repetido, avaliado e quebrado com consciência.
O que faz uma composição fotográfica funcionar?
Compor é escolher o que entra, o que sai e onde cada elemento ocupará espaço.
Quando uma fotografia parece confusa, nem sempre o problema está na quantidade de objetos. Muitas vezes, o assunto principal disputa atenção com uma área clara, uma cor saturada ou uma linha que aponta para fora do quadro.
Antes de fotografar, faça uma pergunta simples:
Qual elemento justifica esta foto?
Pode ser uma pessoa, uma sombra, o encontro de duas linhas, uma textura ou uma pequena figura humana cercada pela paisagem. Depois de identificar esse ponto, observe se o restante da cena ajuda ou atrapalha.
A Nikon recomenda começar a composição justamente pela identificação do assunto. A grade e os pontos de interseção entram depois, como meios de mostrar esse assunto com clareza.
Composição também não corrige luz ruim ou foco perdido. Ela trabalha junto com os outros fundamentos:
- A distância focal altera quanto da cena aparece e como percebemos as distâncias.
- A abertura do diafragma controla a profundidade de campo.
- A velocidade do obturador define se o movimento será congelado ou borrado.
- O ISO ajuda a alcançar a exposição necessária, com possível aumento de ruído.
- O balanço de branco muda a interpretação das cores.
Uma fotografia bem composta pode ser feita com uma câmera profissional, uma compacta ou um celular. A Pixel Pro trabalha esses fundamentos com equipamentos diferentes porque a lógica visual não depende de um modelo específico de câmera.
1. Use a regra dos terços para organizar o assunto e o horizonte
A regra dos terços divide o quadro com duas linhas horizontais e duas verticais, formando nove áreas. Os quatro cruzamentos dessas linhas funcionam como referências para posicionar pontos de interesse.
Em um retrato, os olhos podem se aproximar da linha horizontal superior. Em uma paisagem, o horizonte pode ocupar o terço de cima ou o de baixo. Em fotografia de rua, uma pessoa pode entrar por uma das linhas verticais, deixando espaço para o ambiente contar parte da história.
A grade não aparece na fotografia final. Ela apenas ajuda a construir o enquadramento no visor ou na tela da câmera. Tanto Canon quanto Nikon tratam os cruzamentos como referências, não como coordenadas que precisam ser seguidas com precisão milimétrica.
Onde colocar o horizonte?
Horizonte centralizado costuma dividir a fotografia em duas metades de peso semelhante. Isso pode funcionar em reflexos e cenas perfeitamente simétricas, mas enfraquece muitas paisagens porque não define qual parte da imagem merece atenção.
Quando o céu apresenta nuvens, cores ou luz interessante, coloque o horizonte próximo ao terço inferior. O céu ganha espaço para participar da narrativa.
Quando a força está no chão, em uma estrada, plantação, textura ou primeiro plano, suba o horizonte para o terço superior.
O erro está menos em centralizar e mais em fazê-lo sem perceber.
Um ponto de partida para uma paisagem fotografada à mão seria 24mm, f/8, 1/125s e ISO 100. A distância focal de 24mm inclui bastante ambiente; f/8 costuma oferecer boa profundidade de campo; 1/125s reduz o risco de tremido em situações estáticas. Esses números precisam mudar conforme a luz, o movimento e o equipamento.
Faça este teste no local
Fotografe a mesma paisagem três vezes:
- Horizonte no centro.
- Horizonte no terço superior.
- Horizonte no terço inferior.
Não mude a distância focal nem a exposição. Compare apenas a distribuição de espaço.
Esse exercício ensina mais do que decorar a grade porque mostra como uma alteração de poucos graus muda a leitura da imagem.
2. Controle o headroom e não tenha medo de preencher o quadro
Headroom é o espaço entre o topo da cabeça e a borda superior da foto.
Iniciantes costumam deixar uma faixa larga acima do retratado por receio de cortar cabelo, chapéu ou cabeça. O resultado é uma pessoa comprimida na parte inferior, enquanto uma parede vazia ocupa a área mais valorizada da imagem.
Em retratos fechados, um pequeno corte no cabelo pode parecer mais natural do que uma sobra de fundo sem função. O problema não é cortar. O problema é cortar em pontos que pareçam acidente, como no meio do queixo, do pescoço ou exatamente sobre uma articulação.
Onde posicionar os olhos
Os olhos normalmente funcionam bem perto da linha horizontal superior da grade de terços. Isso dá presença ao rosto e reduz o espaço morto acima da cabeça. A Canon recomenda essa região como referência para retratos, inclusive quando a pessoa está deslocada para um dos lados do quadro.
Para um retrato com fundo suavemente desfocado, um ponto inicial seria 85mm, f/2.8, 1/250s e ISO 400:
- 85mm ajuda a preencher o quadro sem aproximar demais a câmera do rosto.
- f/2.8 reduz a profundidade de campo, mantendo os olhos em destaque.
- 1/250s controla pequenos movimentos da pessoa e do fotógrafo.
- ISO 400 pode ser necessário em sombra aberta ou interiores claros.
A distância entre câmera, pessoa e fundo influencia o resultado tanto quanto o número gravado na lente.
Headroom não é o mesmo que espaço de olhar
Quando a pessoa olha para o lado, deixe espaço na direção do olhar. Esse espaço sugere continuidade e evita a sensação de que o rosto está encostado na borda.
Há exceções. Colocar o olhar muito próximo da margem pode produzir desconforto deliberado. Funciona em retratos tensos, editoriais ou narrativas que pedem confinamento.
A decisão precisa combinar com a intenção.
3. Centralize quando o centro reforçar a imagem
Centralizar não é sinônimo de composição preguiçosa.
O centro funciona muito bem quando a cena contém:
- Simetria arquitetônica.
- Repetição de formas.
- Um corredor ou túnel.
- Um rosto olhando diretamente para a câmera.
- Um objeto isolado em fundo limpo.
- Linhas convergindo para o mesmo ponto.
Em uma fotografia frontal de arquitetura, deslocar a câmera apenas alguns centímetros pode quebrar a simetria de portas, colunas e janelas. Nesse caso, o cuidado principal não está em aplicar os terços, mas em encontrar o eixo exato do espaço.
A Nikon observa que a composição central pode ser marcante quando o assunto tem força suficiente para sustentar o quadro e quando outras estruturas, como linhas e cores, apoiam essa centralização.
Como fotografar simetria arquitetônica
Primeiro, alinhe a câmera com o centro físico da cena. Depois, verifique:
- Se as margens esquerda e direita têm pesos semelhantes.
- Se o horizonte está nivelado.
- Se as linhas verticais permanecem verticais.
- Se algum objeto quebra a repetição sem acrescentar informação.
- Se a altura da câmera respeita o eixo da arquitetura.
Um tripé ajuda, mas não resolve um ponto de vista mal escolhido. Antes de ajustar as pernas, caminhe lateralmente e observe a relação entre as linhas.
Uma configuração inicial para interiores pode ser 24mm, f/8, ISO 200 e 1/15s com tripé. Em câmeras sem tripé, será necessário aumentar a velocidade ou o ISO. Ao usar grande-angular, mantenha atenção às bordas, onde objetos próximos podem parecer esticados.
Quando tirar o assunto do centro
Descentralize quando a cena precisar de direção, movimento ou relação com o ambiente.
Uma pessoa caminhando, por exemplo, pode ficar em um dos terços com espaço livre à frente. O vazio deixa de ser sobra e passa a indicar o caminho.
O centro produz estabilidade. A assimetria produz tensão. Escolha de acordo com o que a fotografia precisa dizer.
4. Use linhas-guia para levar o olhar ao ponto de interesse
Estradas, corrimãos, sombras, rios, calçadas, fachadas e fileiras de árvores podem funcionar como linhas-guia.
A linha não precisa ser desenhada ou contínua. Uma sequência de pedras, postes ou pessoas também cria direção quando os elementos formam um percurso reconhecível.
A função da linha-guia é levar o olhar a algum lugar. Quando ela aponta para uma borda vazia, pode expulsar o observador do quadro.
Antes do clique, acompanhe visualmente a linha desde o início. Pergunte onde ela termina.
Linhas diagonais dão sensação de movimento
Linhas horizontais tendem a transmitir estabilidade. Verticais acentuam altura e rigidez. Diagonais atravessam o quadro e criam mais energia.
Uma calçada fotografada de frente pode parecer plana. Ao baixar a câmera e colocá-la próxima da borda, a mesma calçada ganha profundidade porque as linhas convergem para um ponto de fuga.
Em um exemplo técnico de composição, a Canon usa uma cena fotografada em 18mm, f/11, 1/125s e ISO 100, na qual um caminho sinuoso conduz o olhar da vegetação até a água. A grande-angular amplia a sensação de percurso, enquanto f/11 mantém uma faixa extensa da cena aceitavelmente nítida.
Cuidado com a linha mais clara do quadro
O olhar humano tende a perceber contraste e brilho. Uma linha branca, um reflexo metálico ou uma faixa iluminada pode chamar mais atenção do que uma linha geometricamente perfeita.
Já vi esse problema aparecer muitas vezes em exercícios de composição: o aluno organiza uma estrada para chegar à pessoa, mas deixa uma faixa clara na lateral conduzindo diretamente para fora da imagem. A estrutura está correta no papel, porém o contraste fala mais alto.
Cubra essa área com a mão enquanto observa a tela. Se a foto melhorar, mude o enquadramento ou espere a luz mudar.
5. Trate reflexos como parte da cena, não como sobra
Reflexos criam uma segunda imagem dentro da fotografia.
Água, vidro, metal polido, vitrines e pisos molhados podem duplicar formas ou misturar planos diferentes. Em vez de usar automaticamente a regra dos terços, observe se a força da cena está justamente na relação entre o objeto e sua cópia.
Quando a proposta for um espelhamento quase perfeito, o horizonte central pode ser a melhor escolha. O quadro passa a funcionar como uma folha dobrada ao meio.
Reflexo nítido ou água com movimento?
Para registrar um reflexo definido, procure uma superfície com pouca ondulação. Lagos e espelhos d’água tendem a ficar mais calmos quando há pouco vento, mas essa condição varia conforme o local.
Uma velocidade como 1/250s ajuda a congelar pequenas alterações da superfície. Já uma exposição de 1s, 4s ou 10s, feita com tripé e possivelmente filtro de densidade neutra, suaviza o movimento da água. O efeito pode ficar limpo, mas também pode apagar detalhes do reflexo.
Não existe uma única escolha correta. Pergunte se você deseja mostrar a textura da água ou transformá-la em uma área suave.
Abaixe o ponto de vista
A posição da câmera altera a quantidade de reflexo visível. Ao abaixar o equipamento, você pode aproximar visualmente o objeto de sua imagem refletida e incluir uma faixa maior da superfície.
Em poças pequenas, colocar a lente a poucos centímetros do chão faz o reflexo ocupar uma área muito maior do quadro. Um celular ajuda bastante nesse exercício porque permite aproximar a câmera do piso sem que o visor fique inacessível.
Exponha para proteger as altas luzes
Vitrines, água e metal podem produzir pontos brilhantes. Verifique o histograma e o alerta de realces da câmera. Se áreas importantes estiverem estouradas, reduza a exposição em −0,3 EV, −0,7 EV ou o necessário para recuperar textura.
Nem todo ponto branco precisa conter detalhe. Uma lâmpada direta ou o reflexo do sol pode ultrapassar a capacidade do sensor. Preserve as regiões que carregam informação visual.
6. Use a proporção áurea quando a cena pedir fluxo
A proporção áurea é uma relação matemática aproximada de 1:1,618. Na composição visual, ela aparece em grades e espirais que distribuem os elementos de forma menos regular do que a divisão em terços.
Na prática, o ponto de interesse costuma ficar um pouco mais próximo da borda do que ficaria na regra dos terços. A espiral também sugere um caminho curvo, levando o olhar da parte ampla até uma região menor e mais concentrada.
A Canon descreve a espiral como uma linha visual que pode partir de um canto, percorrer o quadro e terminar no assunto principal. Essa estrutura pode ser aplicada a retratos, paisagens, escadas, vegetação e cenas com movimentos circulares.
Regra dos terços ou proporção áurea?
Use a regra dos terços quando precisar de uma referência rápida e fácil de visualizar. Ela funciona bem para horizontes, retratos, cenas de rua e situações em que você precisa reagir depressa.
Experimente a proporção áurea quando houver curvas, camadas ou um caminho visual mais longo. Ela pode funcionar melhor em:
- Escadas em espiral.
- Estradas curvas.
- Uma pessoa cercada por tecido ou vegetação.
- Alimentos organizados em círculo.
- Paisagens com primeiro, segundo e terceiro planos.
- Retratos em que braços, cabelo ou direção do corpo formam uma curva.
Não force uma espiral onde a cena é feita de linhas retas. O método precisa servir à fotografia, e não o contrário.
Como aplicar sem enxergar a espiral no visor
Faça uma leitura por massas.
Coloque o maior volume visual na parte larga da espiral e reserve a região mais fechada para o assunto. Em um retrato ambiental, o cenário pode ocupar a curva ampla, enquanto o rosto fica próximo do final do percurso.
Na edição, ferramentas de corte ajudam a validar essa distribuição. O Lightroom permite reenquadrar, mudar a proporção e usar sobreposições de composição sem alterar permanentemente o arquivo original.
Evite depender da pós-produção para salvar um enquadramento descuidado. Cortar remove pixels e pode eliminar áreas necessárias para outros formatos.
7. Componha pensando no corte e no destino da fotografia
A mesma imagem pode precisar funcionar em uma página horizontal, em um retrato vertical, em um quadrado ou em um banner estreito.
Esse detalhe muda a maneira de fotografar, sobretudo em trabalhos comerciais, retratos corporativos, produtos, gastronomia, arquitetura e conteúdo para marcas.
Deixe espaço útil, não espaço aleatório
Espaço para texto não significa simplesmente afastar o assunto e preencher metade do quadro com qualquer fundo.
A área vazia precisa ter:
- Tom relativamente uniforme.
- Baixo contraste.
- Poucas linhas atravessando.
- Textura que não prejudique a leitura.
- Distância suficiente de rostos, mãos e produtos.
Um retrato corporativo pode ser fotografado com a pessoa em um dos terços e uma parede limpa do outro lado. A imagem continua equilibrada e permite inserir título, logotipo ou chamada.
Fotografe variações no local
Em uma sessão destinada a vários canais, produza pelo menos:
- Um quadro horizontal com espaço lateral.
- Um vertical fechado.
- Uma versão mais aberta, com margem para corte.
- Um enquadramento central que aceite cortes dos dois lados.
- Uma opção com espaço acima, adequada a capas e chamadas.
A fotografia mais aberta deve ser intencional. Se você simplesmente recuar sem reorganizar o cenário, objetos indesejados entram pelas bordas.
Proteja elementos que não podem ser cortados
Logotipos, embalagens, mãos, pés e detalhes do produto precisam de margem. Interfaces de redes sociais também podem cobrir regiões próximas às extremidades.
O corte não destrutivo do Lightroom permite testar proporções como 1:1, 4:5 e outras variações antes da exportação. A Adobe diferencia proporção de dimensões: um arquivo quadrado mantém relação 1:1, independentemente de ter poucos pixels ou vários milhares.
Alta resolução ajuda, mas não substitui enquadramento
Arquivos grandes oferecem margem de corte. Isso é útil, especialmente quando o cliente pede um formato não previsto.
Só que cortar demais altera a sensação da lente, a relação entre assunto e fundo e a distribuição de espaço. A imagem pode continuar tecnicamente utilizável e perder a lógica visual.
Componha primeiro. Use a resolução como segurança, não como desculpa.
Configurações de câmera que ajudam na composição
Composição e exposição não são assuntos separados. Uma escolha técnica pode reforçar ou enfraquecer a organização visual.
Para destacar uma pessoa
Use uma abertura como f/1.8, f/2.8 ou f/4, conforme a distância e o número de pessoas. O fundo desfocado perde detalhes e disputa menos atenção.
Confirme se a profundidade de campo é suficiente para manter os olhos nítidos. Em um retrato inclinado, com um olho mais distante da câmera, f/1.4 pode deixar apenas uma faixa estreita em foco.
Para mostrar camadas da paisagem
Aberturas entre f/8 e f/11 costumam ser pontos de partida úteis, desde que a lente e o sensor entreguem a profundidade necessária. Use foco criterioso e verifique o primeiro plano.
Fechar para f/22 não garante mais nitidez. A difração pode reduzir detalhes, e a velocidade mais lenta aumenta o risco de movimento.
Para congelar pessoas dentro da composição
Uma pessoa caminhando pode exigir 1/500s ou mais. Alguém posando pode ser fotografado a 1/200s ou 1/250s, conforme a distância focal, a estabilização e o movimento.
O ISO entra depois, para permitir a combinação de abertura e velocidade desejada. Prefiro aceitar algum ruído a perder o instante por tremido.
Para mostrar movimento
Velocidades como 1/15s, 1/8s ou 1s transformam pessoas, água e veículos em elementos gráficos. A composição deve prever a direção desse borrão.
Uma pessoa em movimento precisa de espaço para atravessar o quadro. Caso contrário, o rastro termina comprimido na borda.
Erros de composição que aparecem mesmo em fotos tecnicamente corretas
Uma imagem pode estar bem exposta e perfeitamente focada, mas continuar fraca por causa de pequenas distrações.
Não observar as bordas
Postes parecem sair da cabeça. Mãos entram pela lateral. Uma metade de pessoa fica presa no canto. Esses problemas raramente estão no centro, onde o fotógrafo concentra a atenção.
Antes do clique, percorra as quatro bordas do visor.
Cortar articulações
Cortes próximos a joelhos, tornozelos, pulsos e cotovelos tendem a parecer acidentais. Prefira cortar acima ou abaixo dessas regiões, com decisão clara.
Deixar o fundo tocar o contorno do assunto
Uma árvore atrás da cabeça, uma linha passando pelo pescoço ou uma janela encostada no ombro cria fusões visuais.
Mudar o ponto de vista alguns centímetros costuma resolver.
Aplicar todas as regras ao mesmo tempo
Uma fotografia não melhora apenas por conter terços, linhas, moldura, triângulos e proporção áurea.
Muitas vezes, uma única decisão forte basta.
Confundir simplicidade com falta de informação
Retirar distrações não significa esvaziar toda a cena. Elementos secundários podem explicar lugar, escala, profissão ou relação entre pessoas.
A pergunta correta não é “isso chama atenção?”, mas “essa atenção contribui para a história?”.
Como treinar composição sem comprar outro equipamento
Para fotógrafos de Campinas, uma caminhada curta pelo Cambuí, pelo centro ou por uma área arborizada já oferece material para trabalhar linhas, simetria, reflexos e camadas. Não é necessário procurar uma paisagem grandiosa.
A formação oferecida pela Pixel Pro inclui exercícios de composição, perspectiva, espaço negativo, retrato e fotografia urbana, com aplicação prática em equipamentos variados. Carlos Rincon reúne mais de duas décadas de docência e atuação em fotografia documental, retrato, eventos, produtos e processos históricos.
Escolha um quarteirão e limite-se a uma distância focal. Pode ser 35mm, 50mm ou a câmera principal do celular.
Produza:
- Uma foto com horizonte no terço inferior.
- Um retrato com os olhos próximos ao terço superior.
- Uma simetria central.
- Uma linha levando a uma pessoa.
- Um reflexo.
- Uma composição guiada por curva.
- Uma foto com espaço para texto.
A limitação obriga você a mudar de posição em vez de resolver tudo pelo zoom.
Perguntas frequentes sobre composição fotográfica
O que é composição fotográfica?
É a organização dos elementos dentro do quadro. Ela define o que aparece, onde aparece e como o olhar percorre a fotografia.
Qual é a regra de composição mais fácil para iniciantes?
A regra dos terços costuma ser a mais simples. Ative a grade 3 × 3 da câmera ou do celular e use as linhas para posicionar horizontes, olhos e assuntos principais.
Preciso colocar o assunto exatamente no cruzamento da grade?
Não. O cruzamento é uma referência. Pequenos deslocamentos podem equilibrar melhor a cena, principalmente quando existem outros objetos, linhas ou áreas de contraste.
É errado deixar o horizonte no centro?
Não. O centro funciona bem em reflexos, simetrias e imagens minimalistas. Em paisagens sem simetria, colocar o horizonte em um dos terços costuma definir melhor a prioridade entre céu e chão.
Centralizar uma pessoa deixa a foto amadora?
A centralização só parece descuidada quando não combina com o restante do quadro. Retratos frontais, fundos simétricos e cenas com linhas convergentes podem ganhar força com o assunto no centro.
Quanto espaço devo deixar acima da cabeça?
O suficiente para que o enquadramento pareça intencional. Em retratos fechados, os olhos próximos à linha superior dos terços costumam produzir um bom equilíbrio. Uma faixa grande e vazia acima da cabeça raramente ajuda.
Posso cortar o topo da cabeça em um retrato?
Pode. Um corte leve no cabelo funciona em retratos próximos, desde que o rosto e a expressão sejam o centro da imagem. Evite cortes indecisivos e enquadramentos que eliminem partes importantes sem propósito.
Qual é a diferença entre regra dos terços e proporção áurea?
A regra dos terços divide o quadro em partes iguais. A proporção áurea usa uma relação aproximada de 1:1,618 e pode ser representada por uma grade ou espiral. Os terços são mais rápidos; a proporção áurea favorece fluxos curvos e distribuições menos regulares.
Linhas-guia precisam ser retas?
Não. Estradas curvas, rios, sombras e sequências de objetos também conduzem o olhar. O ponto principal é saber onde a linha começa, por onde passa e onde termina.
Que lente é melhor para composição?
Não existe uma única lente. Grande-angulares mostram mais ambiente e exageram a profundidade. Teleobjetivas reduzem o ângulo de visão e aproximam visualmente os planos. Uma lente de 35mm ou 50mm é útil para treinar porque exige decisões claras de posição e enquadramento.
Posso melhorar a composição no Lightroom?
Sim. O corte pode corrigir horizonte, retirar distrações e testar diferentes proporções. Ainda assim, um corte severo reduz a resolução e pode alterar a relação entre os elementos.
A composição muda quando fotografo para clientes?
Muda porque o destino da imagem passa a fazer parte do enquadramento. Fotografias comerciais podem precisar de espaço para texto, versões verticais, cortes quadrados e margens de segurança ao redor de produtos e pessoas.
Dá para aprender composição usando celular?
Sim. Grade, posição da câmera, escolha do fundo, linhas e distribuição de espaço funcionam da mesma maneira. O equipamento muda algumas possibilidades técnicas, mas não decide onde você deve ficar.
Um exercício para aplicar as sete regras
Escolha uma cena comum e faça sete fotografias sem trocar de lugar imediatamente. A cada clique, mude apenas uma decisão:
- Use os terços.
- Reduza o espaço vazio.
- Centralize.
- Procure uma linha.
- Inclua um reflexo.
- Organize a cena em curva.
- Deixe espaço para um corte vertical ou para texto.
Depois, abra as imagens lado a lado. Não escolha a mais bonita de imediato. Observe qual delas deixa claro o assunto, qual prende o olhar por mais tempo e qual contém elementos sem função.
Esse hábito muda a forma de fotografar. Em vez de levantar a câmera e aceitar o primeiro enquadramento, você passa a testar possibilidades até encontrar a estrutura que pertence àquela cena.
A próxima foto não precisa de outro corpo de câmera. Precisa de alguns segundos a mais antes do obturador.
Carlos Rincon – Professor de Fotografia e Pesquisador – Campinas | 1983Em meus trabalhos busco construir uma imagem utilizando um processos históricos da fotografia. A construção da imagem consiste no estudo fundamental no comportamento do ser humano na sociedade e na natureza que o circunda, tendo os princípios da sociologia e filosofia no comportamento humano e sociedade, base fundamental nas minhas pesquisas e fotografia. Há 22 anos sendo professor de fotografia, consigo obter um olhar e um processo criativo ainda mais apurado no âmbito da arte fotográfica devido a diversidade de temas que abordo diariamente.






