Encontro casual na Sexta Avenida: como a discussão ‘fotógrafos de verdade disparam filme’ virou amizade e mentoria nas ruas de Nova York
Do atrito inicial à câmera comprada numa loja e aulas de luz: dois fotógrafos transformaram uma bronca sobre formato em uma parceria analógica pela cidade
Um encontro fortuito entre dois fotógrafos nas calçadas de Manhattan começou com um confronto sobre técnicas e formatos e terminou em amizade, ensino prático e uma pequena comunidade de rua reunida ao redor do mesmo interesse: fotografar com filme.
O encontro na Sexta Avenida
Ayrton Kaleo cruzou com Bernie — mais conhecido como OG — na Sexta Avenida, em Nova York. Segundo relatos, a primeira fala de OG foi categórica: “real photographers use film”. O comentário gerou tensão imediata. Kaleo respondeu fotografando OG sem pedir permissão, e os dois saíram da interação com sentimentos conflituosos.
“Aquele cara estava basicamente dizendo que fotografar em digital não te faz um fotógrafo de verdade, o que é um absurdo”, disse Kaleo logo após o primeiro encontro. Para ele, a criação das imagens depende do fotógrafo, não do aparelho.
Da provocação à curiosidade
No dia seguinte, Kaleo voltou à rua em busca de explicações. OG reafirmou seu conselho, mas sem hostilidade: “Sem desrespeito, irmão. Aprende comigo… usa uma visão maior, usa filme. Eu não tenho ódio de você por fazer digital… só digo, fica com o filme.”
Intrigado, Kaleo pesquisou sobre OG e encontrou material antigo: filmagens dos anos 1990 mostrando OG fazendo fotografia de rua — um passado que confirmava que ele havia vivido a prática que defendia.
Mentoria analógica e multiplicação
Com a relação se aquecendo, OG levou Kaleo à loja B&H e comprou-lhe uma câmera de filme. Kaleo, que nunca havia revelado um rolo, passou a aprender o básico do analógico: usar um fotômetro, posicionamento, e como abordar e interagir com os sujeitos nas ruas.
O duo logo atraiu outros fotógrafos de filme nas caminhadas pelo East Village. À medida que fotografavam juntos, a troca de experiências criou um pequeno grupo de rua que compartilha técnicas e incentivo.
Transformação e continuidade
O que virou uma discussão sobre superioridade de formatos transformou-se numa história sobre transmissão de conhecimento e comunidade. OG afirmou que recebeu ajuda de outros fotógrafos no passado e quis retribuir; Kaleo se diz surpreso e grato. Hoje, os dois são amigos e trocam mensagens de voz diariamente, mantendo vivo o diálogo que começou por acaso numa esquina de Nova York.
A história ilustra como o encontro entre gerações e práticas diferentes pode gerar aprendizado mútuo — e um lembrete de que, para muitas pessoas, a fotografia analógica é tanto técnica quanto tradição compartilhada.






