Análise de 40.000 sites mostra que tráfego orgânico caiu só 2,5% YoY e desafia narrativa de que IA ‘mata’ SEO
Nova análise com dados da Similarweb aponta recuo modesto no tráfego orgânico em 2025; maiores sites cresceram e as perdas se concentram em publishers de médio porte
Uma grande análise conduzida pela Graphite com dados da Similarweb para mais de 40.000 sites dos Estados Unidos mostra que o tráfego orgânico via mecanismos de busca caiu apenas 2,5% ano a ano — muito distante das queixas de declínios de 25% a 60% que circulam no mercado. O resultado coloca em perspectiva a hipótese de que modelos generativos como o ChatGPT estariam rapidamente suprimindo a demanda por busca tradicional e enterrando o SEO.
O que os dados mostram
A comparação feita pela Graphite usa estimativas de visitação da Similarweb entre dois períodos: fevereiro a dezembro de 2024 e janeiro a novembro de 2025. Os principais pontos do levantamento são:
- Variação total do tráfego orgânico: -2,5% YoY.
- Sites muito grandes (top 10): crescimento médio de cerca de +1,6% no tráfego orgânico.
- Declínios mais acentuados concentrados em publishers de médio porte (aproximadamente entre o top 100 e top 10.000).
- Tráfego de mecanismos de busca em geral em 2025: +0,4%.
- Tráfego proveniente especificamente do Google em 2025: +0,8%.
- Relação entre cliques orgânicos e pagos: aproximadamente 90% orgânico e 10% anúncios.
Esses números contradizem a narrativa simplista de um colapso generalizado do SEO: embora haja mudança no formato das SERPs e redistribuição de cliques, a demanda por resultados orgânicos permanece robusta.
Impacto das respostas por IA e dos anúncios
A análise também avaliou o efeito das chamadas AI Overviews — respostas geradas por IA que aparecem em resultados de busca. As conclusões principais são:
- Prevalência das AI Overviews: aparecem em cerca de 30% das consultas, sobretudo em buscas informacionais.
- Impacto no CTR: quando presentes, essas respostas reduziram a taxa de cliques em cerca de 35% nas páginas afetadas.
- Consultas comerciais e transacionais são menos atingidas pelas AI Overviews, mantendo o click-through mais protegido.
- O crescimento da participação de cliques em anúncios foi modesto — em torno de dois pontos percentuais —, mantendo os resultados orgânicos com cerca de 10 vezes mais cliques que os espaços pagos.
Ou seja: AI Overviews mudam o comportamento do usuário e reduzem cliques em certas consultas, mas não explicam um colapso total do tráfego orgânico. O efeito é real, porém localizado e mais forte em consultas informacionais com respostas instantâneas.
O que muda para publishers e profissionais de SEO
Mais do que morrer, o SEO está se fragmentando. A expansão de recursos nas páginas de resultado — painéis, respostas por IA, carrosséis e outros elementos — significa que há agora mais competição por um mesmo conjunto de cliques. As implicações práticas:
- Estratégias devem se adaptar ao formato das SERPs: conteúdo específico para intenções informacionais, transacionais e para aparecer em features (ex.: snippets, painéis) passa a ser obrigatório.
- Publishers de médio porte, que sofreram as maiores quedas, precisam reavaliar distribuição de conteúdo, modelo de receita e diversificação de canais.
- Sites grandes continuam a ter vantagens de autoridade e escala, o que pode absorver parte da redistribuição de tráfego.
- Métricas e testes com dados próprios (Google Search Console, Analytics) seguem essenciais para entender impactos reais em cada caso.
Metodologia e limitações
A estimativa da Graphite se baseia nas métricas de visitação da Similarweb, que combina painéis de usuários opt-in, dados de ISPs e operadoras móveis, sinais públicos da web e medições diretas de sites participantes. Para checar a confiabilidade, a Graphite comparou as tendências da Similarweb com dados de primeira parte (Google Search Console e Google Analytics) em múltiplos sites e encontrou uma correlação mediana de 0,86 — um indicativo de forte alinhamento entre estimativas e dados proprietários.
Ainda assim, toda análise em nível agregado tem limitações: efeitos regionais, nichos específicos e mudanças pontuais de produto (do próprio Google ou de grandes players) podem gerar variações locais mais intensas do que a média mostra.
Em resumo: o estudo não traz um veredicto de fim do SEO, mas sim um alerta para transformação. A busca continua relevante, mas a distribuição de cliques está mudando. Para profissionais e editores, a resposta passa por adaptar conteúdo, testar formatos e diversificar fontes de tráfego — mais estratégia e menos pânico.






