135 câmeras remotas capturam retorno da marta costeira antes tida como extinta na Califórnia — estudo estima 1 animal a cada 3 km² e revela 86 fotos que orientam conservação

Pesquisadores documentaram o retorno da marta costeira (Humboldt marten) na Califórnia usando 135 câmeras remotas e armadilhas de coleta de pelos. A espécie, considerada por muito tempo praticamente extinta no estado devido à caça e ao desmatamento do século 20, foi fotografada 86 vezes por 20 das armadilhas durante um estudo de três meses.

Como foi o estudo

Em 2022, uma equipe do Institute for Natural Resources da Oregon State University instalou 135 câmeras remotas e dispositivos de coleta de pelos (hair snares) ao longo de uma área de cerca de 150 milhas quadradas (≈389 km²) a leste de Klamath, no norte da Califórnia. O objetivo foi mapear a presença, densidade e preferência de habitat das martas costeiras num trecho onde ainda havia relatos de ocorrência.

Além das imagens, os fios e fitas das armadilhas permitiram obter amostras de DNA, ajudando a confirmar que os registros se referiam de fato à marta costeira e não a outros mustelídeos.

O que os resultados mostram

Dos 135 equipamentos, 20 capturaram imagens da espécie, totalizando 86 fotografias. Combinando os registros visuais e as análises genéticas das amostras de pelos, os pesquisadores estimaram uma densidade aproximada de uma marta a cada três quilômetros quadrados na área estudada.

Os dados indicam que as martas não estão restritas a um microhabitat único: foram detectadas ao longo da área de estudo, com concentração em pontos específicos que parecem oferecer melhores condições de abrigo e alimento.

Onde vivem e características da espécie

A marta costeira, parente de furões, doninhas, lontras e carcaju, é menor que um gato doméstico. Adultos machos medem entre 50 cm e 60 cm (20 a 24 polegadas) e pesam entre 0,7 kg e 1,4 kg (1,5 a 3 libras). São predadores oportunistas: capturam pequenos roedores como camundongos e arvicolídeos, mas também podem caçar coelhos e aves, além de complementar a dieta com frutas quando necessário.

No estudo, as martas foram mais numerosas em dois tipos de ambiente: topos de serra florestados em elevações mais altas, onde havia neve residual, e florestas costeiras de baixa altitude próximas a ravinas e rios — locais que oferecem cobertura e presas.

Implicações para conservação

A espécie já foi considerada praticamente extinta na Califórnia até que, em 1996, biólogos do Serviço Florestal dos EUA encontraram uma pequena população nos bosques costeiros do norte do estado. Hoje estima-se que cerca de 500 martas costeiras permaneçam, ocupando aproximadamente 5% de sua distribuição histórica que ia do norte do Oregon ao norte da Califórnia.

Os pesquisadores pretendem usar os resultados das câmeras remotas e das análises de DNA para orientar ações de conservação: identificar áreas prioritárias para proteção de habitat, planejar corredores ecológicos e monitorar tendências populacionais ao longo do tempo. “Há muitas coisas que ainda não sabemos sobre essa espécie, incluindo quais florestas elas ainda ocupam, quantas existem e se as populações estão aumentando”, disse Sean Matthews, da Oregon State University.

O estudo foi publicado na revista Global Ecology and Conservation em dezembro e fornece uma base empírica importante para políticas de manejo que visem garantir a sobrevivência da marta costeira na Califórnia.

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