Fotógrafo do New York Times acha peça-chave em desastre ferroviário e provoca questionamentos sobre investigação
Descoberta do bogie por Finnbarr O’Reilly levou reportagens e críticas à apuração oficial
O fotógrafo do The New York Times Finnbarr O’Reilly disse que sua descoberta de um grande pedaço de metal junto a um córrego no local do acidente de trem no sul da Espanha “incendiou” a cobertura da mídia espanhola e suscitou perguntas sobre a condução das investigações. O desastre deixou 45 mortos e, segundo relatório preliminar do órgão investigador CIAF, uma fratura no trilho pode ter ocorrido antes da passagem do trem envolvido.
Chegada ao local e imagens iniciais
O’Reilly, que vive em Barcelona, recebeu a chamada do jornal e embarcou para a cena 22 horas após o acidente. Ao chegar, subiu uma colina e fez imagens que ganharam a capa do Times no dia seguinte. Mesmo diante de cordões de isolamento e da presença de drones de patrulha que o afugentavam, ele adotou uma abordagem forense: buscou ângulos diversos para documentar o máximo possível sem atrapalhar a perícia.
Achado inesperado: o bogie
Na manhã seguinte, antes do amanhecer, O’Reilly voltou ao local e caminhou por matas, córregos e sub-bosque em busca de uma nova perspectiva. Ao retornar, “tropeçou entre arbustos” e encontrou à beira de um riacho um volume metálico — inicialmente confundido com lixo. Ao comparar com a foto que havia feito do trem, percebeu que faltava justamente aquela estrutura sob um dos vagões.
Trata-se, segundo especialistas consultados pela imprensa, de um bogie — o conjunto de rodas e estrutura que sustenta o vagão. Consciente de seu valor como evidência, o fotógrafo manteve distância, documentou o elemento em imagens e enviou imediatamente as fotos a colegas do jornal, que informaram as autoridades.
Resposta oficial e repercussão
As autoridades afirmaram estar cientes dos destroços, mas não detalharam quando tiveram conhecimento do bogie. A publicação das imagens e da reportagem, contudo, provocou ampla cobertura e debate nos meios espanhóis sobre a transparência e a profundidade da investigação.
Conclusões preliminares e próximas etapas
O relatório preliminar da Comissão de Investigação de Acidentes Ferroviários (CIAF) afirma que a fratura no trilho pode ter precedido a passagem do trem Iryo envolvido no desastre, indicando que o rompimento teria sido anterior à saída dos vagões dos trilhos. As imagens de O’Reilly não alteram por si só as conclusões técnicas, mas colocaram em evidência elementos físicos e prazos de conhecimento das autoridades que ganharam atenção pública.
O caso ilustra o papel do fotojornalismo em cenários de tragédia: além de documentar, as imagens podem apontar evidências que aceleram questionamentos e influenciam a agenda investigativa e do debate público.
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